blog edifique-se

Reflexões sobre a Palavra que fortalecem mente, espírito e corpo, inspirando crescimento pessoal e profissional.

@felipelima_eng

Felipe Lima | cristão, marido, pai, engenheiro, professor e empreendedor. Apaixonado pela Palavra de Deus, grato pelas misericórdias e amor do Pai. Pensador e motivado a compartilhar suas reflexões e histórias.
  • Deus pode me usar?

    Vivemos em um mundo que nos incentiva constantemente a olhar para nós mesmos. Nossos problemas, necessidades, sonhos, conquistas e desafios. Passamos boa parte da vida buscando soluções para aquilo que nos preocupa, tentando organizar nossas finanças, cuidar da saúde, desenvolver nossa carreira e construir um futuro.

    Não há nada de errado nisso. Precisamos cuidar da nossa vida e assumir nossas responsabilidades. Entretanto, existe um risco: ficarmos tão ocupados conosco que nos esquecemos de que também fomos chamados para cuidar das pessoas.

    Não fomos chamados apenas para receber, mas também para transbordar.

    Transbordar o amor que recebemos, a graça que experimentamos, o conhecimento que adquirimos, as experiências que vivemos e tudo aquilo que Deus colocou em nossas mãos.

    Ao longo da minha caminhada com Deus, tenho compreendido cada vez mais que nossa vida não pode se resumir às nossas próprias necessidades. Existe algo muito maior acontecendo, uma missão da qual somos convocados a participar.

    Mas, diante de um mundo com tantas necessidades e de uma missão aparentemente gigantesca, uma pergunta pode surgir em nosso coração: Deus pode me usar?

    Jesus deixou uma orientação muito clara aos seus discípulos:

    “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” (Mateus 28:19, NVT)

    Esse chamado não ficou restrito àqueles que estavam naquele momento com Jesus. A missão de compartilhar o Evangelho, amar, servir e cuidar das pessoas continua sendo uma responsabilidade da Igreja, da qual fazemos parte.

    Entretanto, muitas vezes acreditamos que precisamos estar preparados para começar. Precisamos conhecer mais a Bíblia, resolver nossos conflitos internos, superar nossas dificuldades, conquistar estabilidade financeira ou desenvolver determinadas habilidades.

    E assim vamos adiando aquilo que poderíamos começar a fazer hoje.

    A Bíblia, porém, apresenta um padrão interessante. Moisés tinha dificuldade para falar. Gideão se considerava pequeno e insignificante. Jeremias acreditava ser jovem demais. Davi não parecia ser a escolha mais provável. Ester teve medo. Maria não compreendia como seria possível cumprir aquilo que lhe foi anunciado. Pedro falhou, e Paulo carregava um passado de perseguição à Igreja.

    Mesmo assim, Deus os chamou.

    Em 1 Coríntios 1:26-29, Paulo nos lembra que Deus escolheu pessoas consideradas fracas e insignificantes aos olhos do mundo para realizar seus propósitos.

    Isso nos ensina algo fundamental: não precisamos estar prontos para começar, mas precisamos estar dispostos a ser aperfeiçoados durante o caminho.

    Quando Gideão apresentou suas limitações, Deus respondeu: “Eu estarei com você” (Juízes 6:16). Encontramos essa mesma mensagem no chamado de Moisés, em Êxodo 3:12, e de Jeremias, em Jeremias 1:8. O próprio Jesus, ao enviar seus discípulos, afirmou que estaria com eles todos os dias, até o fim dos tempos (Mateus 28:20).

    A resposta de Deus não foi simplesmente dizer que aquelas pessoas eram capazes de fazer tudo sozinhas. A resposta foi a promessa da sua presença.

    O apóstolo Paulo também recebeu uma palavra que nos ajuda a compreender esse princípio: “A minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Coríntios 12:9).

    Talvez você se considere pequeno, despreparado ou incapaz de fazer algo relevante para o Reino. Mas a questão não está apenas naquilo que conseguimos realizar com nossas próprias forças, e sim naquilo que Deus pode realizar por meio de uma vida disponível.

    Deus não nos chama para uma vida de espectadores, mas para uma vida de participação ativa.

    É interessante observar como costumamos nos relacionar com as promessas de Deus. Buscamos suas bênçãos, pedimos provisão, saúde, proteção, prosperidade e direção. E devemos fazer isso, pois temos um Pai amoroso que se importa conosco.

    Entretanto, precisamos compreender que a Palavra não apresenta apenas promessas. Ela também apresenta chamados, responsabilidades e orientações sobre como devemos viver.

    Somos chamados para fazer discípulos (Mateus 28:19-20), servir uns aos outros com os dons que recebemos (1 Pedro 4:10), defender os necessitados (Salmos 82:3), cuidar dos órfãos e das viúvas (Tiago 1:27) e anunciar o Evangelho (Marcos 16:15).

    Não podemos desejar apenas aquilo que Deus pode fazer por nós e ignorar aquilo que Ele nos orienta a fazer pelas pessoas.

    E aqui surge outra pergunta importante: qual é o meu papel nessa grande missão?

    Nem todos serão pastores, pregadores ou missionários em outras nações. Mas todos podemos participar da missão de Deus, cada um conforme seus dons, oportunidades e responsabilidades.

    Podemos servir em nossa igreja, abrir nossa casa para receber pessoas, ajudar em projetos sociais, interceder por alguém, compartilhar nossos testemunhos, ensinar aquilo que aprendemos, acolher quem está passando por dificuldades e investir tempo no cuidado de outras pessoas.

    Podemos também colocar nossas habilidades profissionais a serviço do Reino. Um empresário pode expressar sua fé na maneira como conduz seus negócios e cuida das pessoas. Um professor pode ensinar com amor e responsabilidade. Um engenheiro pode utilizar seus conhecimentos para servir à sociedade. Um profissional pode ser instrumento de Deus dentro da empresa onde trabalha.

    Gosto muito desse conceito de sermos missionários no mundo corporativo. Não precisamos necessariamente abandonar nossa profissão para servir a Deus. Podemos compreender que nosso ambiente profissional também é um lugar onde temos oportunidades de viver e compartilhar nossa fé.

    O chamado não começa necessariamente em um lugar distante. Ele pode começar exatamente onde estamos, com aquilo que já temos e com as pessoas que Deus colocou ao nosso redor.

    Mas como saber o que Deus deseja que façamos?

    Acredito que esse direcionamento começa pelo relacionamento com Ele. Precisamos investir tempo a Sós com Deus, nosso TSD, não apenas para apresentar problemas e pedidos, mas para desenvolver intimidade, conhecer sua Palavra e aprender a ouvir.

    Muitas vezes, nossas orações estão concentradas em pedir que Deus resolva situações que estamos enfrentando. Algumas dessas situações, inclusive, podem ser consequências de decisões tomadas sem buscarmos sua direção.

    E se, além de pedirmos ajuda para resolver nossos problemas, começássemos a perguntar ao Senhor como podemos participar dos seus planos?

    Podemos buscar esse direcionamento por meio das Escrituras, examinando tudo à luz da Palavra. Também podemos receber orientações e correções por meio de líderes e irmãos maduros na fé. Precisamos cultivar nossa intimidade com Deus, aprendendo não apenas a falar, mas também a permanecer em silêncio e simplesmente ouvir.

    Uma pergunta simples pode transformar a maneira como começamos nossos dias: “Espírito Santo, como quer me usar hoje?”

    Talvez a resposta esteja em uma conversa que precisamos ter, em alguém que devemos procurar, em um pedido de perdão, em uma pessoa que necessita de ajuda ou em uma oportunidade de compartilhar a Palavra.

    Não precisamos esperar por uma grande missão para começar a obedecer aos pequenos chamados do cotidiano.

    Existe ainda algo que considero fundamental nessa caminhada: não podemos permitir que ressentimentos, frustrações e decepções consumam toda a nossa energia. Precisamos tratar nossas feridas, perdoar, amadurecer e seguir em frente. Não temos tempo a perder alimentando aquilo que nos afasta do amor e do propósito de Deus.

    A vida passa rapidamente, como aprendemos com o Pr. Melvin Huber: “Somente uma vida nós temos, e logo ela passará. Somente o que for feito por Cristo permanecerá.”

    Isso nos convida a refletir sobre aquilo que realmente estamos construindo e sobre o legado que deixaremos.

    Em Filipenses 1:6, Paulo demonstra sua confiança de que aquele que começou a boa obra continuará seu trabalho até completá-la no dia de Cristo Jesus.

    Essa é uma perspectiva importante para nossa caminhada. Não somos uma obra concluída. Estamos em construção, sendo transformados e aperfeiçoados pelo Senhor.

    Por isso, não precisamos esperar que todas as áreas da nossa vida estejam resolvidas para começar a servir. Podemos cuidar da nossa própria construção enquanto participamos da construção da vida de outras pessoas.

    E servir não significa abandonar nossas responsabilidades, negligenciar nossa família ou viver sobrecarregados. Significa aprender a administrar aquilo que recebemos, reconhecendo que nosso tempo, nossos recursos, nossas experiências e nossas habilidades também podem ser instrumentos de amor.

    Quero encerrar com uma reflexão.

    Você crê em Deus? Crê em Jesus e na obra da cruz? Crê que a Bíblia é a Palavra de Deus? Crê que o Senhor continua ouvindo nossas orações, agindo em nossas vidas e cumprindo seus propósitos?

    Então precisamos considerar também que os chamados de Deus continuam exigindo uma resposta de nossa parte.

    Não fomos convidados apenas para conhecer histórias de homens e mulheres que viveram pela fé. Fomos chamados para escrever nossa própria história de obediência, serviço e relacionamento com Deus.

    Outros já viveram seu tempo, enfrentaram seus desafios e cumpriram suas missões. Agora é a nossa vez.

    Deus pode me usar? Sim. Não porque eu seja perfeito, esteja pronto ou tenha todas as respostas, mas porque Ele pode me transformar, capacitar e conduzir durante o caminho.

    Que possamos viver com a disposição de quem compreendeu que recebeu muito e, por isso, também deseja compartilhar muito.

    Que nossas vidas não sejam apenas recipientes das bênçãos de Deus, mas instrumentos do seu amor.

    Somos chamados para transbordar.

    Construa a sua vida sobre a Rocha //// Edifique-se
    por Felipe Lima
    @felipelima_eng

  • Existem momentos em que estamos diante de uma decisão importante e nossa oração se resume a uma pergunta:

    “Deus, devo fazer isso?”

    É uma pergunta importante.

    Antes de avançarmos, precisamos colocar nossos planos diante de Deus e buscar direção para compreender se aquele realmente é o caminho.

    “Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos.” Provérbios 16:3

    Mas acredito que podemos ir além.

    Porque talvez não precisemos apenas saber se devemos fazer.

    Precisamos entender o que fazer, por que fazer, quando fazer, onde fazer, com quem fazer, como fazer e até quanto investir.

    E isso começa muito antes de qualquer método.

    Começa com relacionamento.

    Antes das respostas, precisamos de relacionamento

    Nosso tempo com Deus não pode existir apenas quando precisamos tomar uma decisão.

    Não podemos procurar Deus somente quando precisamos de uma resposta.

    Relacionamento não funciona assim.

    Precisamos aprender a investir tempo a sós com Deus.

    Tempo para estar com Ele sem pressa.

    Tempo para louvar, adorar, agradecer, falar, mas também para ficar em silêncio, para ouvir. 

    Tempo para simplesmente desfrutar de Sua presença.

    Jesus nos ensinou sobre esse lugar secreto:

    “Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto.” Mateus 6:6

    Existe algo poderoso quando criamos intencionalmente esse ambiente.

    Não estou falando necessariamente de um lugar físico específico, mas de um ambiente de relacionamento, intimidade, entrega e amor.

    É nesse lugar que nossas conversas com Deus ganham profundidade.

    Porque oração não é apenas apresentar uma lista de pedidos.

    Oração é relacionamento.

    É conversa, comunhão. É falar, mas também ouvir. Perguntar, mas também permanecer em silêncio.

    É apresentar nossos desejos, mas também estar disposto a submetê-los.

    É entrar querendo uma resposta e, algumas vezes, perceber que Deus primeiro quer trabalhar em nós.

    Não comece pelas perguntas

    Esse talvez seja um dos princípios mais importantes dessa proposta.

    Não sente para seu tempo com Deus e imediatamente abra uma lista. Comece por Ele. Desacelere a mente.

    Reconheça quem Deus é antes de falar sobre aquilo que você precisa.

    Depois desse tempo de relacionamento, podemos apresentar aquilo que está em nosso coração.

    Uma oportunidade.

    Um projeto.

    Uma mudança.

    Uma decisão profissional.

    Um negócio.

    Um ministério.

    Um investimento.

    Um sonho.

    E inicialmente talvez exista apenas uma pergunta:

    “Espírito Santo, esse é o caminho?”

    Não precisamos começar tentando entender todos os detalhes.

    Oração também precisa ser um lugar onde nossas decisões podem mudar.

    Depois da direção, vêm novas perguntas

    Quando percebemos um direcionamento para avançar, começa uma segunda etapa.

    Porque receber uma direção não significa necessariamente receber todo o projeto.

    Às vezes entendemos o que devemos fazer, mas ainda não sabemos como.

    Sabemos que devemos avançar, mas ainda precisamos compreender quando.

    Temos clareza sobre o projeto, mas ainda não sabemos com quem devemos construí-lo.

    É nesse momento que uma ferramenta muito conhecida na gestão pode nos ajudar a organizar nossas perguntas: o 5W2H.

    Não para substituir a direção do Espírito Santo.

    Não como uma fórmula para receber respostas.

    Não para transformar oração em planejamento estratégico.

    Mas simplesmente para nos ajudar a fazer perguntas melhores e mais completas diante de Deus.

    5W2H em oração

    O 5W2H é estruturado a partir de sete perguntas:

    What: O quê?

    Why: Por quê?

    Where: Onde?

    When: Quando?

    Who: Quem?

    How: Como?

    How much: Quanto?

    Normalmente utilizamos essas perguntas para organizar projetos, decisões e planos de ação.

    Mas também podemos utilizá-las para aprofundar aquilo que estamos colocando diante de Deus.

    O que?

    Espírito Santo, o que exatamente devo fazer?

    Qual é realmente o projeto?

    O que precisa ser construído?

    Qual deve ser o próximo passo?

    O que faz parte dessa direção e o que estou acrescentando por vontade própria?

    Por quê?

    Por que devo fazer isso?

    Qual é o propósito?

    Por que isso precisa existir?

    Estou sendo movido por propósito ou por comparação, ansiedade, vaidade, dinheiro ou necessidade de reconhecimento?

    Nem toda boa oportunidade necessariamente faz parte do nosso propósito.

    Com quem?

    Com quem devo fazer?

    Quem precisa caminhar comigo?

    Quem possui habilidades que eu não tenho?

    Quem pode me aconselhar?

    Quem devo convidar?

    E existe também uma pergunta difícil:

    Quem não deveria fazer parte disso?

    Quando?

    Quando devo fazer?

    Uma direção correta no tempo errado pode gerar consequências que poderiam ser evitadas.

    Talvez seja para começar agora.

    Talvez seja para preparar agora e executar depois.

    Talvez seja necessário esperar.

    Existe diferença entre receber uma direção e receber uma autorização para começar imediatamente.

    “Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu.”

    Eclesiastes 3:1

    Onde?

    Onde isso deve acontecer?

    Em qual ambiente?

    Em qual cidade?

    Dentro da estrutura que já possuo ou em uma nova?

    Na empresa?

    Na igreja?

    Na internet?

    Em determinada comunidade?

    Podemos compreender a missão e ainda precisar discernir o campo onde ela deverá ser desenvolvida.

    Como?

    Como devo fazer?

    Qual deve ser o formato?

    Como começar?

    Qual deve ser a sequência?

    O que preciso aprender antes?

    Que estrutura preciso desenvolver?

    Quais portas devo procurar?

    Qual é o próximo passo?

    Nem sempre receberemos todo o caminho de uma vez.

    Às vezes teremos clareza apenas sobre o próximo passo.

    E talvez seja exatamente do que precisamos.

    Quanto?

    Quanto devo investir?

    E não estou falando apenas de dinheiro.

    Quanto tempo?

    Quanto de energia?

    Quanto de recursos?

    Quanto estou disposto a dedicar?

    Qual será o impacto dessa decisão sobre minha família, meu trabalho, meu ministério e as outras responsabilidades que Deus já colocou em minhas mãos?

    Todo projeto possui um custo.

    Discernir esse custo também faz parte de construir com sabedoria.

    Fale. Pergunte. Mas também aprenda a ouvir.

    Talvez essa seja a parte mais difícil.

    Estamos acostumados a falar durante a oração.

    Apresentamos problemas.

    Fazemos pedidos.

    Contamos nossos planos.

    Pedimos respostas.

    Dizemos amém.

    E vamos embora.

    Mas relacionamento exige espaço para o outro falar.

    Por isso, nosso Tempo a Sós com Deus também precisa ter momentos de silêncio, meditação na Palavra e disposição para ouvir.

    “Fala, pois o teu servo está ouvindo.” 1 Samuel 3:10

    Talvez uma das orações mais importantes que possamos fazer seja simplesmente:

    “Espírito Santo, o que o Senhor quer me mostrar sobre isso?”

    E então não preencher imediatamente o silêncio com novas palavras.

    Ouvir.

    Esperar.

    Anotar.

    Voltar à Palavra.

    Continuar orando.

    Talvez a resposta venha naquele momento.

    Talvez venha durante a leitura da Bíblia.

    Talvez uma convicção seja construída durante vários dias.

    Talvez seja necessário esperar semanas.

    E talvez a resposta seja diferente daquela que gostaríamos de receber.

    Isso também faz parte do relacionamento.

    Não é preencher uma planilha

    O objetivo do 5W2H em oração não é conseguir preencher sete campos ao final de quinze minutos.

    Talvez você passe vários dias em apenas uma pergunta.

    Talvez algumas respostas estejam claras e outras ainda não.

    Talvez seja necessário voltar ao mesmo assunto diversas vezes.

    Não existe problema nisso.

    Não estamos tentando encaixar o Espírito Santo em um método.

    Estamos apenas organizando nossas perguntas para aprofundar uma conversa.

    E aquilo que entendemos em oração precisa continuar passando pelo discernimento.

    Está de acordo com a Palavra?

    Existe convicção consistente ou apenas empolgação?

    Há sabedoria nessa decisão?

    Pessoas maduras e de confiança enxergam coerência nesse caminho?

    As circunstâncias confirmam ou confrontam aquilo que estamos entendendo?

    Precisamos tomar cuidado para não chamar automaticamente de “direção de Deus” aquilo que simplesmente desejamos muito.

    Talvez você precise de mais do que um sim ou não

    Se existe uma situação importante diante de você neste momento, separe tempo.

    Não apenas cinco minutos para pedir uma resposta.

    Invista tempo com Deus.

    “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.” Tiago 1:5

    Talvez você descubra que precisava de muito mais do que uma resposta.

    Precisava de relacionamento.

    Porque antes de buscarmos apenas as respostas de Deus, precisamos aprender a buscar o próprio Deus.

    E quando fazemos do Tempo a Sós com Deus parte da nossa vida, nossas decisões deixam de ser apenas perguntas pontuais feitas nos momentos de necessidade.

    Elas passam a fazer parte de uma caminhada.

    Relacionamento gera intimidade.

    Intimidade desenvolve sensibilidade.

    Sensibilidade produz discernimento.

    Discernimento nos ajuda a tomar decisões.

    E decisões guiadas por sabedoria nos ajudam a construir aquilo que realmente vale a pena construir.

    Antes de construir seus planos, construa uma vida de relacionamento com Deus.

    Edifique-se.

  • Somos espírito, alma e corpo.

    Quando o corpo se cansa, normalmente é fácil perceber. Sentimos sono, dores, falta de energia, indisposição. E sabemos o que fazer: descansar.

    Quando descansamos, o corpo tende a se recuperar. Dormimos, diminuímos o ritmo, nos alimentamos e, pouco a pouco, as forças voltam.

    Mas e quando quem está cansada é a alma?

    Esse cansaço é mais difícil de identificar.

    Por vezes, o corpo até para, mas a mente não. Deitamos, mas continuamos pensando. Tiramos um dia de descanso, mas não conseguimos descansar. A cabeça está cheia, os pensamentos estão acelerados e as preocupações continuam trabalhando dentro de nós.

    O corpo está parado, mas a alma continua correndo.

    E então percebemos que dormir nem sempre resolve todo tipo de cansaço.

    Podemos acordar depois de uma noite inteira de sono e continuar cansados. Não necessariamente porque faltou descanso ao corpo, mas porque existe um peso sendo carregado na alma.

    Preocupações, responsabilidades, frustrações, medos, cobranças, perdas, conflitos, decisões.

    Quando esse peso se acumula, começamos a perder o ânimo, a confiança, a alegria e a esperança. E, em situações extremas, uma pessoa pode chegar ao ponto de não querer mais continuar.

    A Bíblia não esconde essa realidade.

    Algumas declarações registradas nas Escrituras são fortes:

    “Mate-me de uma vez.”

    “Tira minha vida.”

    “Quem me dera ter morrido ao nascer.”

    “Por que eu nasci?”

    Talvez imaginemos que palavras assim tenham sido ditas por pessoas sem fé, fracas ou distantes de Deus. Mas não. Foram ditas por homens que conheciam o Senhor, tinham propósito e exerceram papéis extraordinários em suas gerações.

    Homens de Deus que também chegaram ao limite

    Moisés: cansado pela sobrecarga

    Moisés chegou ao limite carregando a responsabilidade de conduzir o povo de Israel:

    “Sozinho, não sou capaz de carregar todo este povo! O peso é grande demais! Se é assim que pretendes me tratar, mata-me de uma vez; para mim seria um favor, pois eu não veria esta calamidade!”.” Números 11:14-15 NVT

    Moisés não estava simplesmente cansado fisicamente. O peso da responsabilidade havia alcançado sua alma.

    Existem cargas que conseguimos carregar por algum tempo, mas que não fomos chamados para carregar sozinhos.

    Elias: cansado, mesmo depois de uma grande vitória

    Depois de viver uma das maiores demonstrações do poder de Deus em seu ministério, Elias recebeu uma ameaça de Jezabel, teve medo e fugiu.

    “Elias teve medo e fugiu para salvar a vida. Foi para Berseba, uma cidade em Judá, e ali deixou seu servo. Depois, foi sozinho para o deserto, caminhando o dia todo. Sentou-se debaixo de um pé de giesta e orou, pedindo para morrer. “Já basta, SENHOR”, disse ele. “Tira minha vida, pois não sou melhor que meus antepassados que já morreram.”” 1Reis 19:3-4 NVT

    Existe um detalhe importante nessa história: Elias entrou em profunda exaustão justamente depois de uma grande vitória.

    Às vezes, não percebemos o quanto uma grande entrega consumiu nossas forças até que tudo termine.

    E a primeira resposta de Deus a Elias não foi uma repreensão ou um grande discurso.

    Deus permitiu que ele dormisse. Providenciou alimento. Deu-lhe tempo. Depois, falou com ele e o conduziu novamente ao propósito.

    Há momentos em que precisamos de direção. Há momentos em que também precisamos dormir, comer, diminuir o ritmo e recuperar as forças.

    Jó: cansado pelo sofrimento

    Jó atravessou perdas e sofrimento em uma intensidade difícil de imaginar.

    Em determinado momento, declarou:

    ““Quem me dera morrer antes de ter nascido, ou tivesse morrido ao nascer”.” Jó 3:11 NBV-P

    A Bíblia não romantiza a dor de Jó. Ela mostra um homem que conhecia Deus, mas que também experimentou sofrimento profundo. Ter fé não significa não sentir dor.

    Jeremias: cansado pela rejeição

    Jeremias enfrentou oposição, perseguição, humilhação e rejeição enquanto cumpria sua missão.

    Em determinado momento, disse:

    “E, no entanto, amaldiçoo o dia em que nasci; ninguém celebre o dia em que minha mãe me deu à luz.” Jeremias 20:14 NVT

    E depois pergunta:

    “Por que eu nasci? Toda a minha vida é apenas sofrimento, tristeza e vergonha.” Jeremias 20:18 NVT

    Até alguém vivendo seu chamado pode se cansar.

    Propósito não nos torna imunes à frustração, à rejeição ou ao esgotamento.

    “Por que você está abatida, ó minha alma?“

    Davi tem uma conversa consigo mesmo, conversas essa que precisamos aprender a fazer:

    “Por que você está tão abatida, ó minha alma? Por que está tão triste? Espere em Deus! Ainda voltarei a louvá-lo, meu Salvador e” Salmos 42:5 NVT

    Observe que ele conversa com a própria alma. Ele reconhece seu estado, mas não permite que aquele estado determine o fim da história.

    Minha alma está abatida, mas ainda existe esperança.

    Precisamos aprender a perceber quando não é apenas o corpo que está cansado.

    Quando perdemos continuamente a alegria, o entusiasmo, a esperança e a vontade de continuar, certamente é nossa alma pedindo cuidado.

    O momento de desespero não foi o capítulo final

    Moisés chegou ao limite pela sobrecarga.

    Elias, pela exaustão e pelo medo.

    Jó, pelo sofrimento.

    Jeremias, pela rejeição e frustração.

    As causas foram diferentes, mas todos chegaram a lugares profundos de cansaço. Porém, existe algo ainda mais importante em comum:

    Aquele momento não foi o capítulo final de suas histórias.

    Moisés continuou conduzindo Israel.

    Elias foi fortalecido e recebeu uma nova missão.

    Jó experimentou restauração.

    Jeremias continuou exercendo seu chamado.

    Eles até falaram sobre desistir. Mas Deus não desistiu deles.

    O “mas” de Deus

    Existem momentos em nossa história em que precisamos colocar um “mas Deus” depois de tudo aquilo que estamos vivendo.

    Paulo escreveu:

    “De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos.” 2Coríntios 4:8-9 NVI

    Pressionados, mas não desanimados.

    Perplexos, mas não desesperados.

    Perseguidos, mas não abandonados.

    Abatidos, mas não destruídos.

    O problema existe. A dor é real. O cansaço também.

    “Mas Deus“

    “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossas transgressões, nos deu vida juntamente com Cristo — pela graça vocês são salvos ” Efésios 2:4-5 NAA

    Talvez existam capítulos da nossa vida que não conseguimos explicar apenas olhando para nossas próprias forças. É justamente aí que entra o “mas Deus”.

    Cansado? Vá até Jesus

    Jesus fez um convite. Ele chamou os cansados.

    ““Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.” Mateus 11:28 NVT

    Existe uma diferença importante entre simplesmente parar e encontrar descanso.

    Podemos parar fisicamente e continuar carregando preocupações, medos, frustrações e responsabilidades dentro de nós.

    Podemos descansar o corpo sem descansar a alma.

    Jesus oferece um descanso que alcança lugares onde uma noite de sono não consegue chegar.

    Não precisamos fingir força diante daquele que já conhece nossas fraquezas.

    As forças podem ser renovadas

    Isaías nos lembra:

    “Dá forças aos cansados e vigor aos fracos. Até os jovens perdem as forças e se cansam, e os rapazes tropeçam de tão exaustos. Mas os que confiam no SENHOR renovam suas forças; voam alto, como águias. Correm e não se cansam, caminham e não desfalecem.” Isaías 40:29-31 NVT

    Até os fortes cansam.

    Até os jovens perdem as forças.

    Até homens e mulheres de fé podem chegar ao limite.

    O problema não é reconhecer que estamos cansados.

    O perigo é ignorar o cansaço da alma até não conseguirmos mais perceber esperança.

    Talvez hoje você não precise desistir.

    O que talvez você precisa é: 

    Descansar. Dividir o peso. Conversar com alguém. Reconhecer os seus limites.

    E, acima de tudo, precisa novamente se aproximar daquele que disse:

    “Venham a mim.”

    O cansaço pode fazer parte de um capítulo da nossa história. Mas não precisa escrever o final.

    Você pode estar abatido, mas não destruído. Cansado, mas não abandonado. Sem forças, mas ainda sustentado por Deus.

    Descanse. Cuide da sua alma. Confie novamente.

    Porque até os fortes se cansam, mas os que confiam no Senhor renovam suas forças.